Esse milagroso momento da História!
 
O Dr. Robert Muller, ex-assistente do Secretário Geral da ONU, atualmente Reitor emérito da Universidade da Paz na Costa Rica, foi uma das pessoas que testemunharam a criação da ONU. Desde então, ele trabalhou no suporte ou no interior da ONU.

Ele esteve recentemente em San Francisco para ser homenageado pelo serviço que prestou ao mundo através da ONU, e pelo seus escritos e ensinamentos sobre a paz.

Aos oitenta anos, ele surpreendeu, e mesmo atordoou muitos dos presentes na platéia naquele dia, com sua declaração extremamente positiva sobre o patamar em que o mundo se encontra com relação à guerra e à paz. Eu estava lá, na reunião, e eu própria fiquei assombrada com suas observações. O que ele disse ofereceu uma nova maneira de olhar o que está acontecendo. Segue abaixo uma sinopse de suas observações:

"É uma grande honra para mim estar aqui", disse ele. "É uma honra para mim estar vivo em um momento tão milagroso da história. Estou comovido com o que está ocorrendo em nosso mundo nesses dias".

(Fiquei chocada. Pensei – Onde ele tem andado? O que tem lido? Tem visto os jornais? Será que está caduco? Não percebeu? Do que será que ele está falando?)

O Dr. Muller continuou, dizendo: "Nunca antes na história do mundo houve um diálogo tão global, visível, público, viável, aberto sobre a legitimidade da guerra".

O mundo inteiro está participando de um diálogo histórico e de importância fundamental – está sendo ouvindo todos os tipos de pontos de vista e de posições sobre fazer ou não a guerra.

Está havendo uma imensa conversa, global e pública, o mundo está perguntando -- "A guerra é legal? É ilegal? Há evidências suficientes que justifiquem um ataque? Não há evidências suficientes que justifiquem um ataque?

Quais serão as conseqüências? Os custos? O que acontecerá depois da guerra? Como isso determinará outros conflitos? Quais seriam as alternativas pacíficas? Em que tipos de negociação não estaríamos pensando? Quais são as verdadeiras intenções da declaração de guerra?"

Tudo isto, observa ele, está ocorrendo no contexto do Conselho de Segurança das Nações Unidas, um organismo dentro da ONU, que foi criado em 1949 exatamente para este fim. Ele enfatizou que levamos mais de cinqüenta anos para percebermos esta função, a verdadeira função do conselho de segurança da ONU. E neste momento histórico – a ONU está no centro do palco. A ONU é o lugar onde estão se desenrolando estas conversas e por isso ela se tornou, nos últimos meses e semanas, o corpo governamental mais poderoso da terra, o recipiente mais poderoso para o esforço mundial de promoção de paz, e não de guerra.

O Dr. Muller estava quase às lágrimas, ao reconhecer a materialização do seu sonho.

"Não estamos em guerra", dizia. Nós, a comunidade mundial, estamos PROMOVENDO a paz.

É um trabalho difícil, pesado. É permanente e não devemos afrouxar. Está funcionando e estamos em um marco histórico de imensas proporções. Isto jamais aconteceu antes – nunca na história humana – e está acontecendo agora, todos os dias, todas as horas, a promoção da paz através de uma troca de idéias global.

Ele assinalou que a troca de idéias questionando a validade de se ir à guerra tem sido uma constante em horas, dias, semanas, meses e, agora, um ano, e que ela vai prosseguir.

"Estamos no tempo da paz", dizia. "Sim, as tropas estão em movimento.
Sim, as ogivas estão se posicionando. Sim, o agressor está irado e agitado e gastando um bilhão de dólares por dia na preparação do ataque. No entanto, nenhum tiro foi dado. Nenhuma vida foi perdida. Não há nenhuma guerra. É tudo uma troca de idéias".

É tenso, é espinhoso, é provocador e estamos na troca global de idéias e no diálogo público mais importante e poderoso da história do mundo. Jamais, algo assim havia acontecido, em tal escala – não aconteceu antes da Primeira Guerra Mundial nem da Segunda Guerra Mundial, não aconteceu antes do Vietname nem da Coréia. Estamos vivendo algo novo e é uma era nova, uma era formidável de se falar, de se ouvir e de se assumir responsabilidades Globais.

Neste processo, assinalou, estão sendo formadas novas alianças. A Rússia e a China do mesmo lado em uma questão, é um resultado sem precedentes. A França e a Alemanha trabalhando juntas para despertar o mundo para uma nova maneira de ver a situação. As maiores demonstrações pela paz da história do mundo estão ocorrendo – e não estamos em guerra! A maioria das demonstrações pela paz da história recente ocorreu quando a guerra já estava declarada, algumas vezes, há anos, como no caso do Vietname.

Ele disse, "estamos diante um milagre". "Um milagre, é o que é promover a paz".

Não importa o que aconteça, a história registrará que estamos em uma nova era e que o Século XXI começou com o mundo realizando um diálogo global, examinando com intensidade, profundidade e responsabilidade, como uma comunidade global, a legalidade das ações de uma nação que está desesperada para ir à guerra.

No âmbito desses esforços globais pela paz, os líderes daquela nação estão se envolvendo em maiores diálogos, o que os força a repensar e possibilita que todas as nações participem desta séria e horrenda decisão de fazer ou não a guerra.

O Dr. Muller também fez referências a um recente artigo do New York Times assinalando que, até agora, só havia uma superpotência – os Estados Unidos e que isso criou um tipo de cegueira no país. Agora, porém, afirma o Dr. Muller, há duas superpotências: os Estados Unidos e a voz unida e avassaladora de todos os povos do mundo.

Em todo o mundo, as pessoas estão promovendo a paz. Para Robert Muller, um dos grandes defensores da ONU, isso é um Milagre, e está funcionando.

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